quarta-feira , 30 julho 2014
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A obra de Leminski em diversas facetas

Uma exposição e um trabalho com Grafite, que está sendo difundida nas ruas da cidade

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Os últimos dias têm sido uma verdadeira poesia, com o trabalho de preparação para a exposição de Paulo Leminski, além das intervenções nas ruas da cidade, que foram preparadas cuidadosamente, com artistas e admiradores das artes. São pessoas que passaram alguns dias no Ecomuseu se dedicando em conhecer, trabalhar e se relacionar com a obra do artista curitibano, para entender e repassar as suas características.

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Marcelo Ayala Silveira, um dos organizadores e envolvidos em eventos culturais na fronteira, comentou sobre os trabalhos de preparação dessa integração cultural. “É a oficina Grafite sem Limite. A obra de Leminski, em poucas linhas consegue transmitir  o seu pensamento. Aqui vamos colocar a cultura dele na rua, através desses artistas que vão passar um pouco da obra dele”, destacou.

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Algumas dessas obras que estão transmitindo o pensamento de Leminski, já estão sendo colocadas nas ruas, com uma verdadeira integração cultural, em português, espanhol e o guarani.

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União e compartilhamento da cultura, um intercâmbio, que é um caminho sem volta. “Nesta semana abre a exposição e a intervenção nas ruas da cidade”, disse ayala.

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Ícone da poesia, o curitibano Paulo Leminski trafegava por várias artes e profissões e, em tudo que fazia, explodia em talento e criatividade. E é isso o que poderá ser visto por moradores da região de Foz do Iguaçu e turistas na Exposição Múltiplo Leminski, que permanecerá no Ecomuseu de Itaipu durante exatamente cem dias, a partir da próxima sexta-feira (12).

A solenidade de abertura, para convidados, acontecerá na próxima quinta-feira (11), às 19 horas, quando será aberta também a exposição Arqueologia em Linhas de Transmissão – Memória e Energia no Oeste do Paraná.

Múltiplo Leminski, apresentada primeiro no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, vem a Foz do Iguaçu antes de seguir para outras cidades. Já estão programadas Goiânia e Fortaleza, além de outras quatro capitais. “A programação está fechada até 2015”, diz a curadora da exposição itinerante, Áurea Leminski. Além de Áurea, a mãe dela, Alice Ruiz, e a irmã, Estrela, são responsáveis pela mostra.

Artista e profissional

Alice Ruiz conta que a exposição veio a Foz do Iguaçu graças ao apoio da Itaipu Binacional. Para ser montada no Ecomuseu, a mostra precisou ser reduzida, já que o espaço no local – pouco mais de 300 m² – é bem menor que no MON, onde a exposição se espalhava por uma área de 1.700 m².

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Alice garante que todas as facetas de Leminski estão representadas no Ecomuseu e vê até uma vantagem na concentração de todo o material em menor espaço: “Fica mais aconchegante, mais intimista”, diz ela, também artista múltipla: poeta, tradutora e parceira de músicos como Arnaldo Antunes e Zélia Duncan.

Os múltiplos

A exposição traz painéis com fotos, vídeos, discos, reproduções de grafites, histórias em quadrinhos, poesias escritas em guardanapos, a máquina de escrever que ele usava e muitos livros. Permite, assim, um passeio intelectual e emocional pela vida de um homem que respirou cultura e expirou originalidade e desassossego.

Polêmico, Leminski era, no entanto, “um grande ser humano”, como diz Alice. Era generoso no trato com os jovens, que “se sentiam especiais” quando conversavam com ele. É este lado do poeta, segundo Alice, que a exposição também procura valorizar, para “trazê-lo mais para perto das pessoas”.

As facetas

A mostra é dividida pelas áreas de atuação de Leminski. O poeta, por exemplo, reúne todas as correntes de que ele participou. Desde os haicais (ele aprendeu japonês para entender a estrutura da poesia oriental) aos poemas curtos, quase “pensamentos de humor”; de poesias elaboradas dentro dos preceitos ocidentais à poesia marginal, passando pelo concretismo, que ele admirava, e pelo poema visual.

Difícil encontrar alguém que não conheça alguma letra de Leminski, mas poucos sabem que ele tinha também este lado compositor. “Verdura”, gravada por Caetano Veloso, tem letra e música de Leminski. Como letrista, foi parceiro de Moraes Moreira, Itamar Assumpção, entre outros. Na exposição, crianças e adultos certamente vão se divertir com as músicas de “Pirlimpimpim”, disco gravado por Guilherme Arantes com músicas dele e letras de Leminski.

Na prosa, Leminski se destacou também em várias áreas. Por exemplo, na ficção histórica “Catatau”, ou no romance “Agora é que são elas”, que é quase um roteiro de cinema. Ele também escreveu contos, ensaios, crônicas e biografias (Banshô, Cruz e Souza, Jesus Cristo e Trotski).

Como jornalista, manteve colunas em jornais (inclusive na Folha de S. Paulo), onde expunha suas opiniões sobre tudo, principalmente literatura. Esmerava-se ainda em crônicas. Na televisão, fez parte do programa “Vanguarda”, da Rede Bandeirantes, onde também tinha uma coluna.

Foi também tradutor. Do latim, transcreveu o clássico Satyricon, de Petrônio. Do inglês, entre outras, traduziu obras de John Lennon (“Atrapalho no trabalho”), John Fante (“Pergunte ao pó”) e “Sol e aço”, de Yukio Mishima. Traduziu, via inglês, até poesia egípcia antiga (“Fogo e água na terra dos deuses”).

Nas horas vagas, praticava judô, chegando a ser professor de artes marciais. Dos tatames às salas de aula, Leminski foi professor de cursinho, publicitário, palestrante e até autor de histórias em quadrinhos eróticas.

Cosmopolita

Sua curiosidade por línguas das mais diversas era insaciável. Na sua vasta biblioteca, conta Alice, os livros mais consultados eram dicionários dos mais variados idiomas. Ele chegou a estudar alemão para ler Goethe no original. “Paulo era fascinado pela palavra em todas as línguas”, diz Alice.

A filha dele, Áurea, garante que Leminski se sentiria bem em Foz do Iguaçu, uma cidade multicultural, onde se ouve nas ruas o português, o espanhol e o guarani, língua que ele, sempre curioso, estudava. “Foz do Iguaçu é uma cidade cosmopolita, por toda essa mistura de povos. E o Paulo, mesmo sem ter saído do Brasil nenhuma vez, era também cosmopolita”, completa Alice.

Prioridade: estudantes

No Museu Oscar Niemeyer, de Curitiba, a exposição foi visitada por cerca de 200 mil pessoas. No Ecomuseu, a entrada será livre para a comunidade de Foz do Iguaçu e região. Os turistas que adquirirem ingressos para visitar os atrativos do Complexo Turístico Itaipu vão ganhar entradas para apreciar a mostra.

Paulino Motter, assessor do diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, que negociou a vinda da exposição, diz que será feito um trabalho com escolas para agendar visitas monitoradas. “A exposição representa um estímulo à leitura e à cultura em geral”, explica.

“O evento atende à grande carência de Foz do Iguaçu na área cultural e, ainda, vai ao encontro da política e da missão do Ecomuseu, de levar cultura aos moradores de toda a região de influência de Itaipu”.

“Será certamente a maior exposição que o Ecomuseu já realizou e colocará Foz no circuito cultural brasileiro”, diz Paulino, lembrando que uma das reclamações mais frequentes dos turistas que visitam a cidade é justamente a falta de eventos culturais.

Para chamar a atenção sobre a exposição, haverá intervenções poéticas e arte de rua em espaços públicos de Foz do Iguaçu. Elas incluem grafitagem de poemas curtos de Leminski – ação que ele mesmo fazia nas ruas de Curitiba.

Serviço

Exposição Múltiplo Leminski

De 12 de julho a 20 de outubro de 2013

Local: Ecomuseu de Itaipu. Avenida Tancredo Neves, 6001

Com Assessoria

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